A Voz Que Quiseram Silenciar… Mas Que Nunca Morreu — Parte 2
Olá minha querida Alma 🌸
Hoje quero abrir contigo uma das feridas mais profundas da minha vida. Uma ferida que ficou em silêncio durante muitos anos… mas que nunca deixou verdadeiramente de viver dentro de mim.
E talvez, enquanto lês este texto, também reconheças dores antigas que ainda habitam o teu coração.
O que aconteceu comigo naquele dia da exposição dos meus quadros deixou marcas muito profundas dentro de mim.
Porque aquela frase não veio de qualquer pessoa.
Veio da minha mãe.
E poucas dores são tão silenciosas como não nos sentirmos reconhecidas justamente pela pessoa de quem mais precisávamos de amor, orgulho e acolhimento.
Eu lembro-me daquela exposição.
Estava nervosa.
Vulnerável.
Cheia de esperança.
Talvez feliz por finalmente mostrar ao mundo uma parte da minha alma através da arte.
E a frase que ouvi foi:
“Isso não vai te levar a lugar nenhum.”
Às vezes uma única frase consegue mudar a forma como uma menina se vê a si mesma.

E naquele momento… algo dentro de mim encolheu.
Porque quando uma criança ouve repetidamente que os seus dons não têm valor, ela começa lentamente a abandonar partes da própria essência para conseguir sentir-se aceite.
Hoje consigo olhar para essa dor com mais consciência.
E sabes uma coisa importante que aprendi?
A minha mãe provavelmente não estava apenas a falar comigo.
Ela também estava a falar da própria dor dela.
Dos sonhos que nunca viveu.
Da criatividade que talvez nunca teve espaço para expressar.
Da sobrevivência que lhe roubou a possibilidade de sonhar.
“Ela também foi ferida.”
E compreender isso não apaga a dor que senti.
Mas ajuda-me a perceber de onde ela veio.
A minha mãe cresceu numa realidade dura.
Uma realidade marcada por:
sobrevivência,
desvalorização,
racismo estrutural,
falta de oportunidades,
silenciamento dos dons,
e pela ideia de que pessoas negras existiam apenas para trabalhar e resistir.
Durante gerações, muitas famílias aprenderam que sonhar era perigoso.
Que arte não dava futuro.
Que sensibilidade era fraqueza.
Que criatividade não era prioridade.
Então quando nasce uma menina que pinta, escreve, canta e sonha… isso pode assustar pessoas que nunca tiveram permissão para ser livres.
E talvez seja por isso que tantas mulheres crescem a esconder os próprios dons.
Não porque não tenham talento.
Mas porque foram ensinadas a sobreviver antes mesmo de aprenderem a existir.
Mas há uma coisa muito poderosa na minha história:
Mesmo depois daquela frase… a minha essência não morreu.
Ela ficou escondida.
Silenciada.
Machucada.
Adormecida.
Mas nunca morreu.
Porque se tivesse morrido… eu não estaria hoje, aos 43 anos, a tentar reencontrar aquela menina outra vez.
E isso emociona-me profundamente.
Porque há pessoas que passam a vida inteira afastadas de si mesmas.
E eu decidi voltar.
Voltar para a escrita.
Voltar para a arte.
Voltar para a minha voz.
Voltar para a mulher que sempre existiu dentro de mim.
E talvez isso seja uma das formas mais profundas de cura:
quando finalmente paramos de fugir daquilo que somos.
Hoje percebo que não estou apenas a escrever textos.
Estou a recuperar partes minhas que ficaram perdidas pelo caminho.
E olha como até o corpo contou essa história…
Anos de trabalhos pesados.
Limpezas.
Hotéis.
Restaurantes.
Dores no corpo.
Cansaço acumulado.
Sobrevivência constante.
O corpo muitas vezes carrega o peso de uma vida onde existiu pouco espaço para expressão emocional.
Durante muito tempo eu sobrevivi…
mas não me sentia completamente viva.
E agora estou a tentar unir duas mulheres dentro de mim:
a mulher que resistiu,
e a artista que ficou esquecida.
Isso é um processo profundamente emocional.
E talvez uma das coisas mais bonitas deste caminho seja esta:
eu quero transformar a minha dor em consciência que cura outras pessoas.
Porque quando uma mulher tem coragem de falar da própria ferida com verdade… outras mulheres começam a sentir-se menos sozinhas.
Talvez alguém leia este texto e pense:
“Talvez ainda não seja tarde para mim.”
Talvez uma mãe perceba a importância das palavras que diz aos filhos.
Talvez outra mulher compreenda que não nasceu para viver eternamente silenciada.
Porque muitas vezes a dor não começou apenas em nós.
Ela atravessa gerações.
Mas alguém precisa ter coragem de quebrar o ciclo.
E eu decidi que esse silêncio não vai terminar comigo.
Hoje, talvez a minha maior missão seja dar à minha criança interior aquilo que ela não recebeu naquele dia.
Olhar para os meus quadros.
Para a minha escrita.
Para a minha voz.
E dizer finalmente:
“Sim. Isto tem valor.”
“Sim. O meu dom importa.”
“Sim. Eu mereço ocupar espaço.”
“Sim. Eu existo.”
Porque aquela menina precisava desesperadamente de ouvir isso.
Se ainda não leste a primeira parte desta história, lê primeiro o artigo anterior para compreenderes mais profundamente esta jornada de reencontro, cura e despertar interior.
✨ E se este conteúdo fez sentido para ti, deixa o teu like, partilha e envia também para alguém que possa precisar desta mensagem. Às vezes, uma simples partilha pode transformar o dia — ou até a vida — de alguém.
📩 Inscreve-te também na nossa newsletter e recebe gratuitamente um eBook especial cheio de reflexões, consciência e inspiração para a tua jornada.
🌿 E caso sintas que precisas de um acompanhamento terapêutico mais profundo, contamos com terapeutas especialistas prontos para te ajudar. Basta clicares aqui, preencheres o formulário e a terapeuta escolhida entrará em contacto contigo.
Cura, consciência e transformação começam dentro de nós.
— N’Zila Luvenba —
Escritora, guia do despertar da essência feminina e da consciência interior.


Deixe um comentário