A Voz Que Quiseram Silenciar… Mas Que Nunca Morreu 🌿
Olá minha querida Alma 🌸
Hoje quero falar contigo sobre os dons que muitas mulheres esconderam durante anos para conseguirem sobreviver, encaixar, agradar ou simplesmente serem aceites.
E talvez, enquanto lês este texto, exista uma parte tua a lembrar-se de quem eras antes do mundo te ensinar a duvidar de ti mesma.

“Durante anos achei que tinha desistido da arte. Hoje percebo que apenas me afastei de mim mesma.”
Alguém importante para ti já te disse que aquilo que tu amavas fazer “não te ia levar a lado nenhum”?
Que o teu dom não era suficiente?
Que sonhavas demasiado?
Que devias ser mais realista?
E diz-me…
o que fizeste com isso?
Desististe?
Silenciaste-te?
Ou continuaste a carregar dentro de ti uma voz que nunca morreu verdadeiramente?
Isso aconteceu comigo.
Durante muitos anos, eu abandonei partes de mim para conseguir sobreviver.
Desisti da minha voz.
Da minha arte.
Da minha escrita.
Dos meus sonhos.
E hoje, aos 43 anos, percebo uma coisa profundamente importante:
Eu não estou a começar agora.
Estou apenas a voltar para quem sempre fui.
Porque eu não “me tornei” escritora aos 43 anos.
Eu sempre fui.
Só que durante muito tempo a minha essência ficou soterrada por:
medos,
críticas,
desvalorização,
sobrevivência,
condicionamentos familiares,
e pela crença silenciosa de que certos sonhos não eram feitos para pessoas como nós.
E isso deixa marcas profundas numa mulher.
Existem feridas que não nascem apenas da pobreza material.
Existem feridas emocionais e geracionais que passam de geração em geração sem ninguém perceber.
Muitas famílias cresceram apenas com o objectivo de sobreviver.
Trabalhar.
Aguentar.
Calar.
Obedecer.
E durante muito tempo, criatividade, arte, expressão, liberdade e sensibilidade pareciam luxos distantes.
Então quando nasce uma menina sensível, artística, criativa e sonhadora… muitas vezes ela não é reconhecida.
Não porque não tenha valor.
Mas porque os adultos à volta dela também tiveram os próprios dons esmagados pela vida.
E um dia eu compreendi isso com amor.
Talvez a minha mãe não tenha sabido validar a minha arte… porque ninguém validou a dela primeiro.
E quando comecei a olhar para trás, percebi algo muito profundo:
a minha tia escrevia,
a minha mãe queria ensinar e costurar,
eu escrevia, cantava e pintava…
E agora as minhas filhas crescem a ver uma mulher que está finalmente a tentar quebrar esse ciclo.
Isto não é apenas sobre talento.
É sobre libertação.
Porque quando uma mulher da família encontra coragem para ser ela mesma… abre caminho para as próximas gerações fazerem o mesmo.
E talvez seja por isso que dói tanto ver sonhos destruídos cedo.
Porque às vezes não é apenas uma pessoa que desiste.
É uma geração inteira que perde possibilidades.
Mas sabes o que acho mais bonito no meu percurso?
Mesmo sem apoio… a minha essência não morreu.
Ela esperou por mim.
Esperou:
no silêncio,
na dor,
nas mudanças de país,
nos rios,
no mar,
nas caminhadas,
na solidão,
na escrita escondida,
nas reflexões profundas que ninguém via.
Até ao dia em que eu comecei novamente a ouvir a minha própria voz.
E há uma coisa muito importante que quero dizer-te:
eu não escrevo para mostrar que sou melhor do que ninguém.
Escrevo porque sei o que é sentir-se desacreditada.
Sei o que é quase desistir.
Sei o que é crescer a acreditar que os nossos dons não têm valor.
E talvez por isso eu queira tanto despertar outras mulheres.
Porque existem muitas mulheres neste momento a viver em silêncio.
Mulheres que abandonaram os próprios sonhos para agradar aos outros.
Mulheres que silenciaram a criatividade.
Mulheres que vivem décadas inteiras desconectadas daquilo que realmente são.

E quando uma mulher abandona completamente a sua essência…
algo dentro dela começa lentamente a adoecer.
Porque a nossa voz precisa de espaço.
A nossa criatividade precisa de ar.
A nossa alma precisa de expressão.
Eu vi isso em mulheres da minha família.
Vi sonhos apagados pelo medo, pela sobrevivência e pela falta de apoio.
E um dia tomei uma decisão consciente:
“Isto não vai morrer em mim.”
E acredita…
isso também é um acto de coragem.
Porque enfrentar a vida real exige muito mais força do que desistir de nós mesmas.
Muitas pessoas preferem ouvir os pensamentos negativos do que mudar de vida.
Porque mudar exige responsabilidade.
Exige dor de crescimento.
Exige sair da prisão mental que aprendemos a chamar de normalidade.
Por isso existem pessoas que:
abandonam os próprios dons,
silenciam a própria voz,
vivem frustradas,
ou até atacam quem tenta libertar-se.
Não porque sejam más.
Mas porque ver alguém despertar lembra-lhes da parte delas que desistiu.
E talvez uma das coisas mais bonitas do meu caminho seja esta:
eu estou a tornar-me aquilo que precisava de ter encontrado quando era mais nova.
Talvez por isso eu escreva com tanta verdade.
Porque uma parte minha sabe o quanto teria sido importante alguém olhar para a menina que cantava, escrevia e pintava… e dizer:
“Continua.
O teu dom é real.
A tua voz importa.
E o mundo precisa daquilo que existe dentro de ti.”
E se hoje ninguém te disse isso…
então deixa-me ser eu a dizer-te:
Nunca é tarde para voltares para ti mesma.
Nunca é tarde para recuperares a tua voz.
Nunca é tarde para despertares.
Nunca é tarde para seres aquilo que sempre foste.
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✨ Cura, consciência e transformação começam dentro de nós.
— N’Zila Luvenba —
Escritora, guia do despertar da essência feminina e da consciência interior.


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